segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Uma primeira mensagem...



Fala aí, meu amigo...Como vai? A vida não tem passado desde que você desencarnou. Não sou da sua família, não tenho o seu sangue, mas sinto a tua falta todos os dias. Sei que a tristeza te prende aqui e que devemos te ajudar com a nossa felicidade. No entanto, a alegria e o choro são fronteiriços. No afã de desabafar, te mando esta carta.

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Provavelmente você não poderá lê-la tão cedo. Afinal, pelo espírito que habitava em teu corpo, que só deixou coisas boas para nós, pelas suas conquistas e pela forma tão violenta do teu desencarne, deduzo como um básico espírita que estejas em tratamento em alguma colônia perto de Natal, talvez.

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Sei que é preciso não ter saudade. Mas é complicado quando a razão fica encarregada da emoção. É como educar um Labrador endiabrado...Ele nunca vai lhe obedecer. A razão me vem em poucos momentos. A emoção me vira as noites na internet na procura do teu nome, para tentar saber alguma notícia, enfim, algo que não vai mais sair. A razão bate a porta. A emoção arromba.

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Vem a saudade, vem um monte de coisas que não sei definir direito. Até agora eu não entendo completamente como isso foi acontecer. Provavelmente nem você.

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Sentimos saudade, sim. Do teu aperto de mão forte, do teu jeito sacana de ser, da maravilhosa mistura de responsabilidade exemplar e desleixo cômico que você estampava por aqui. Sinto saudades de tudo isso todos os dias. É como um filme sem final. Fico sentado na poltrona da vida embasbacado perguntando: “Ué, acabou? Só isso?”. Pois é.

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Gostaria de ouvir sua voz, de vê-lo. Não agora, vou me cagar todo de medo. Anseio pelo dia em que ouviremos uma mensagem sua. Ou em sonho, ou através de uma psicografia, ou de algum outro jeito. Precisamos saber de você, o que tem passado, como vão as coisas aí do outro lado. Que você está vivo, nós temos certeza, até porque eu não seria idiota de escrever esta carta para ninguém.

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Não vim aqui remoer o passado e chorar sua morte. Como seu amigo, eu consigo fazer isso com mais facilidade. Então, sou um dos primeiros da fila na celebração desta nova vida. E venho, para concluir, fazer um protesto, porque você está bem de vida e não diz nada para ninguém.

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Provavelmente está numa cama confortável, na presença de gente que você não vê há um tempão, com uma vista trocentas vezes mais bacana que a da praia de Ponta Negra, tudo isso sem pagar um tostão. Olhando todo mundo aí de cima e rindo das asneiras que a gente faz e fala. Então, presta atenção nessa carta e vê se dá um sinal de vida.

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O telefone toca daí para cá e não o contrário. Não acho que isso seja bem verdade. Alguém está lendo esta carta neste momento e vai te dizer. Se fosse assim as orações dariam sempre ocupado.

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Então, peço para alguém que esteja ouvindo esta mensagem que leve ao Zepa ou que você mesmo leia isso algum dia. Afinal, você está esnobe porque mudou de vida e não está a fim de falar com a gente, né, otário? Quando quiser, fale com a gente. Estamos precisando saber o que você anda aprontando, rapaz.

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Aproveita que aí não tem Vivo, nem Claro, nem Tim, nem Nextel. Não tem atendente eletrônico, nem musiquinha de espera. E como não é um bate-papo de msn, eu não posso chamar sua atenção, mas você também não pode nos bloquear!

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Teu Orkut você não usa mais. Está gozando agora das interfaces maravilhosas do céu. Você está um malandro só! Nem divulgou um endereçozinho de e-mail para eu te mandar esta trolha. Deve estar em comunidades sacanas do tipo: “São Pedro é o cara” ou “Vim pro céu, mas não valho nada” ou ainda “A água aqui é melhor que chopp”.

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Não deve participar de fóruns, porque são muito chatos, cheios de gente reclamona e, como você está com a vida ganha, não está a fim disso. E deve assistir nossa vida em vídeos, postados em alguma espécie de HeavenTube. Tudo deve ser bombástico nessa sua nova vida aí no céu.

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Antes que você ache que esta mensagem é algum spam, só quero deixar claro uma coisa aqui:

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NÃO ADIANTA MARCAR OFFLINE PORQUE EU SEI QUE TU TÁ ON!

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Um fortíssimo abraço do teu amigo e irmão Jirim...